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sexta-feira, 31 de julho de 2020

MULTICULTURALISMO NO CONTESTADO

MULTICULTURALISMO E FILOSOFIA (Murilo Moraes Júnior)

    O multiculturalismo surge como um fenômeno social com a ideia de ‘pluralizar’ a cultura. Etimologicamente, Multi significa pluralidade ou muitos; enquanto que cultural, ou melhor, cultura, advém de criação humana.
    O multiculturalismo implica falar sobre o jogo das diferenças, cujas regras são definidas nas lutas sociais por atores que, por uma razão ou outra, experimentam o gosto amargo da discriminação e do preconceito no interior das sociedades em que vivem, tendo incidido sobre a necessidade de ressignificação de conceitos como direitos humanos, democracia e cidadania.
    
A discussão sobre do multiculturalismo questiona o conhecimento transmitido nas diversas instâncias produtoras e transmissoras de cultura, identificando etnocentrismos, visões estereotipadas de determinados grupos e buscando aberturas para a incorporação de uma pluralidade de vozes, de formas diversas de se construir e interpretar a realidade. As categorias teóricas do multiculturalismo permitem uma leitura de mundo a partir de procedimentos lógicos inerentes às culturas dominadas, produzindo, assim, um novo conhecimento e, por consequência, uma nova subjetividade descentrada e emancipada de valores supostamente superiores.

   
JÜRGEN HABERMAS (Fonte: Guia do Estudante abril)

    Nesse contexto, o filósofo Habermas, propõe uma teoria da racionalidade e da sociedade que centra as potencialidades utópicas de emancipação nas micro-revoluções do cotidiano e nas aprendizagens sociais de sujeitos, capazes de linguagem e ação, participantes de um mesmo mundo, o qual podem problematizar, tanto para buscar mais conhecimento, para combinar normas de convivência ou para expressar sua subjetividade de forma descentrada. Portanto, é por meio de intervenções concretas no mundo entre sujeitos utilizando corpo e palavra para tais intervenções que se estruturam novas possibilidades de racionalidade e de participação em esferas cada vez mais amplas da cultura, bem como de
participação na esfera pública.
    A partir desta constatação, Habermas desenvolveu sua Teoria da ação comunicativa, uma ética do discurso e uma filosofia política, no sentido de uma militância voltada para a busca de consensos que se realizam mediante aprendizagens sociais. É preciso aproximar o local do global pela compreensão e argumentação. Aprender a colocar-se no lugar do outro e cultivar a reciprocidade e a cooperação.


MULTICULTURALISMO NA REGIÃO DO CONTESTADO (Arthur Luiz Peixer e Karoline fin)

    Multiculturalismo enquanto teoria não é apenas uma categorização pura e simples que diferencia pessoas e suas origens. É um termo que apresenta historicamente a formação de uma sociedade a partir da miscigenação étnica e das influências de variadas culturas, como é o caso do Brasil. Assim, ele vai para além da formação étnica, buscando entender mais profundamente quais características culturais formaram um determinado povo. Portanto, o multiculturalismo visa entender as bases de formação de uma determinada sociedade, compreendendo seus diferentes grupos sociais e levando em consideração os aspectos de marginalização impostos sobre parte dela, que se desenvolvem a partir de um projeto de centralização do poder. 
    Desta maneira, o conceito de multiculturalismo amplia os debates sobre os projetos emancipatórios e leva em consideração o reconhecimento da luta contra as diferenças e as desigualdades, buscando construir diálogos relacionados à identidade cultural de diferentes grupos e a sua representatividade na formação de uma sociedade, propondo um novo ideal de cidadania.

   
Obra do pintor catarinense Willy Alfredo Zumblick (1953) retratando a heroína Maria Rosa (Fonte: appai.org)

    Ao elucidar esses elementos, percebemos que no território do Contestado, onde ocorreu uma guerra sangrenta entre 1912 e 1916, há uma disparidade social que é reflexo da ocorrência deste conflito e do modo de vida existente nessa região no final do século XIX e início do século XX. A entrada das empresas estrangeiras, Brazil Railway Co. (responsável pela construção da ferrovia) e da Southern Brazil Lumber & Colonization Co. (madeireira e colonizadora), que tinham como intuito trazer o “progresso” e o “desenvolvimento” aos olhos da economia e do processo de industrialização, somadas ao desmando dos coronéis, característico do período da Primeira República Brasileira (1889-1930), implicou na imposição de um modo de vida completamente diferente do que se tinha nas regiões Meio Oeste catarinense e Sudoeste paranaense. 
    Esta terra que era habitada já a gerações por indígenas, principalmente das etnias Guarani, Xokleng e Kaigang, pequenos posseiros de origem cabocla, descendentes de combatentes na revolução Farroupilha e Federalista, além dos primeiros imigrantes italianos e alemães, que viviam em sua grande maioria de pequenos roçados, criações e da venda sazonal da erva-mate como meio de subsistência, além de agregados e trabalhadores das grandes fazendas dos coronéis. Toda essa realidade sócio-cultural foi alterada com a chegada das grandes empresas e da “modernização” aparente que elas carregavam consigo. 
    Percebe-se, analisando a situação da região, que o grande latifúndio e o processo de industrialização levaram ao esmagamento dos modos de vida locais, o que vai, em certa medida, ocasionar o conflito, visto que gera a junção dessas minorias populacionais envoltas de uma religiosidade cabocla messiânica baseada na sobrevivência mútua. Esse aspecto acaba também por criar novos contornos, novos laços culturais caboclos. Entretanto, há que se destacar que ao projeto de industrialização somava-se um projeto colonizador, que atraiu para cá imigrantes, em sua maioria europeus, o que tornou a região ainda mais rica, cultural e etnicamente falando. Cabe destacar também que, para além das imigrações europeias, a região recebeu também nas décadas seguintes imigrantes asiáticos, como é o caso do município de Frei Rogério, berço da comunidade japonesa regional. 
    Porém, quando analisamos a construção do aspecto multicultural da região do Contestado, o que percebemos é uma valorização maior da imigração européia, vinda de um processo colonizador que expulsou e escanteou as populações locais, oriundas da miscigenação indígena, africana e europeia, os caboclos. Estes, que têm suas principais representações nas camadas mais pobres da sociedade contestada, apesar do silenciamento mantiveram e, em muitos casos resgataram, sua cultura, identidade e religiosidade, sendo o culto aos monges um dos exemplos mais diretos dessa realidade.
    Essa onda migratória europeia estabelece na região uma hegemonia, visto que as camadas mais ricas da população acabam por controlar o discurso cultural. Estas famílias encaixam o território Contestado no seu status quo, que tem como base os costumes europeus, além de contar com os moldes do capitalismo desenvolvimentista encabeçado pelas indústrias do grupo Farquhar. Estes elementos são em si contrários à realidade em que a região vivia antes do conflito, principalmente no que diz respeito ao uso da terra, esta, que foi arbitrariamente tomada das populações caboclas locais, vai se tornar não mais uma fonte de vida, mas uma fonte de renda, desmatada e desnutrida pelo reflorestamento sistemático da indústria madeireira. Da mesma maneira a cultura regional vai sendo desmantelada, apropriam-se costumes e reformulam-se tradições para que elas sejam cada vez mais brancas e europeizadas, enquanto as populações originárias, que desde antes do conflito já estavam marginalizadas pelo Estado brasileiro, permaneçam escondidas. Um grande exemplo deste processo foi, por exemplo, a mudança do nome da região turística a qual pertencemos, antes Vale do Contestado, hoje, Vale dos Imigrantes.
    O multiculturalismo enquanto teoria serve, nesse contexto, para identificar aspectos relativos a compreensão de grupos marginalizados, sendo a sociedade contestada um reflexo do domínio cultural da elite econômica que perdura e apagou das representações culturais da região a figura dos trabalhadores pobres dos campos contestados. Assim como a imigração europeia possui ampla representatividade cultural na região do Contestado, é necessário aceitar a pluralidade existente na mesma, principalmente quanto à identificação e a materialidade da cultura cabocla, retirando da mesma os estigmas que ainda carrega desde à época do guerra, tornando o povo caboclo parte da miscelânea de grupos que formam o sul do Brasil e colaborando na reconstrução da imagem nacional sobre a região do Contestado. 


REFERÊNCIAS

AURAS, Marli. Guerra do Contestado: a organização da Irmandade Cabocla. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1984.

DIESEL, Aline; SANTOS BALDEZ, Alda Leila; NEUMANN MARTINS, Silvana. Os princípios das metodologias ativas de ensino: uma abordagem teórica. Revista Thema, [S.l.], v. 14, n. 1, p. 268-288, fev. 2017. ISSN 2177-2894. Disponível em: <http://revistathema.ifsul.edu.br/index.php/thema/article/view/404>. Acesso em: 24 abr. 2020. doi:http://dx.doi.org/10.15536/thema.14.2017.268-288.404.

HABERMAS, Jurgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,1989.

KRETZMANN, Carolina Giordani. Multiculturalismo e Identidade Cultural: Comunidades Tradicionais e a Proteção do Patrimônio Comum da humanidade. Caxias do Sul, 2007.

OLIVEIRA, Cynthia Bisinoto Evangelista de; MOREIRA, Paula Cristina Bastos Penna (Orgs). Docência na socioeducação. Brasília: Universidade de Brasília, Campus Planaltina, 2014. Disponível em: https://cdnbi.tvescola.org.br/contents/document/publications/1449253233482.pdf. Acesso 24 abr. 2020.

SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. 15ª ed, RJ: Forense, 1998, p. 234.


COMO CITAR ESSE ARTIGO:
FIN, Karoline. MORAES JÚNIOR, Murilo. PEIXER, Arthur Luiz. MULTICULTURALISMO NO CONTESTADO. In: Blog EnsinArthur. Disponível em:https://ensinarthur.blogspot.com/2020/07/multiculturalismo-no-contestado.html publicado em: 31 de julho de 2020. Acesso: [informar a data].


PARA ENTENDER MAIS:

- MULTICULTURALISMO




- GUERRA DO CONTESTADO:



sexta-feira, 24 de julho de 2020

ENSAIO SOBRE AS POLITICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO: UMA REFLEXÃO DE EMILÉ DURKHEIM E A SOCIOLOGIA

    
Neste ensaio estaremos refletindo as ações das políticas públicas em relação à educação, analisando o primeiro capitulo do livro “Educação e Sociologia” de Emile Durkheim, intitulado “Educação, Sua Natureza e Função”. Ao pensar essas perspectivas, conseguimos analisar quais são os parâmetros que a sociedade deve aprimorar quando se trata de educação. A desmistificação da negativação do papel da política, por exemplo, seria um primeiro passo nessa transformação, para que esta colabore para a ampliação do campo educacional nas escolas, partindo da percepção do público e do objetivo geral da educação. Dessa forma, pretendemos aqui perspectivar, a partir dessas questões, um breve ensaio sobre a construção política da educação no Brasil.


    Primeiramente, ao analisar o que é política, Marilena Chauí discute que essa é uma das complexidades que surgem a partir das relações sociais, ou seja, está seria “resultado das mudanças nas formas e no conteúdo do poder” (CHAUÍ, Marilena, 2000, P. 479). Sendo assim, o que temos hoje é uma visão negativa do que seria a política e do que trataria essa transformação. Política trata de reivindicações e possibilidades de melhorias que buscamos em nossa sociedade. Ao pensarmos nas questões educacionais que envolvem esse conceito, também devemos analisar o que é a educação.

    Considerando essas questões, devemos elucidar então qual a natureza de ambas as questões, afinal, qual o propósito que temos para a nossa perspectiva educacional? Seria doutrinar e criar seres sociais apenas para se adaptarem ao meio? Ou como educadores, nossa função primordial seria desenvolver neles o senso crítico necessário para questionarem as irregularidades e não se conformarem com o sistema? Esse dualismo, talvez, seja a questão central do propósito inicial da educação e sua finalidade. O problema está que o Estado e a escola não dialogam de forma correta, ou até, nem ocorre esse dialogo, onde no Brasil, desenvolveu-se uma formação onde as ideias são impostas e prontamente aceitas sem questionamentos. Infelizmente, os propósitos não andam de mãos dadas, o que, no fim das contas, colabora para termos a visão negativa do processo político.

    Dessa forma, Emile Durkheim colabora para que se pense essa perspectiva, pois, se não temos clareza da sua função, suas políticas e melhorias terão pouca efetividade, resultando em um ensino sucateado, desmotivador (professores e alunos desmotivados) e extremamente burocrático. Se modificarmos nossa percepção sobre a escola, teremos uma melhor visão sobre o que queremos da nossa sociedade.

    Após entender qual o propósito, pensamos para quem é direcionada essa educação. Durkheim indaga essa questão: Seria essa educação para todos? Na teoria sim, mas, na prática não é o que acontece. Temos uma escola que privilegia maneiras homogêneas de fazer educação, onde se esquece das individualidades de cada um, ignora seu local de origem, não o fazendo refletir de modo adequado o porquê eles aprendem o que aprendem. O próprio sociólogo cita a ideia de que criamos seres para sociedade, e não como queremos, ou seja, se perde o controle. Mas seria mesmo esse controle o nosso objetivo?

    A Escola forma hoje para a vida, ou seja, baseia-se no controle e na repressão dos indivíduos, onde o alto teor burocrático de suas relações faz com que suas reflexões sejam esquecidas e que sejam criadas pessoas adaptáveis, que acabam por deixar-se levar até sua morte pelas convenções sociais. Dessa forma, teremos uma sociedade baseada no consumo e na aquisição, que considera culpado o indivíduo que não se esforça, não entendendo que somos reféns de uma constante exploração econômica e social.

    Durkheim coloca que temos uma “consciência moral”, mas que a educação não carrega essa igualdade e moralidade. Temos um currículo escolar que é homogêneo e não pensa nas reflexões sociais dos indivíduos, nas suas peculiaridades do local onde vivem. A problemática desse currículo faz com que a educação tenha caráter seletivo e continue a separar indivíduos pelas oportunidades oferecidas devido as suas condições sociais, aumentando dessa forma, a desigualdade econômica. Não é porque temos uma sociedade baseada no mundo do trabalho que não devemos fazer nossos alunos refletir as diversas questões que surgem dessa relação, mas, admite-se que esse caráter de instrumentalizar de forma adequada os indivíduos é extremamente perigoso para as classes mais dominantes.

    Quando Durkheim trata da questão da moralidade dos indivíduos, pensando na função social da educação, podemos associar com as perspectivas do desenvolvimento do termo “política”. O autor aponta que as relações de moralidade surgem a partir das suas vivências em grupo (DURKHEIM, 1955, P. 32), pontuando que a educação busca constituir o ser social. O sociólogo ainda cita que a educação não molda nossos conhecimentos naturais, mas sim, conhecimentos necessários para nossa vida em sociedade. Quanto mais se aprofundam as relações sociais e suas complexidades, o aprendizado se faz cada vez mais necessário (DURKHEIM, 1955, P. 34). Quando se analisa essas perspectivas, temos que analisar, portanto o que falta para fazer esse caminho necessário.

    Com o advento das tecnologias de informação do século XXI, temos uma transformação até na forma como os professores estão em sala de aula. Hoje, se compreende que o aluno traz uma bagagem cultural e social para a escola, e está deve ser trabalhada para o indivíduo que não só ensina, mas que faz com que o aluno reflita o conteúdo, isso sendo a mais importante parte do processo. Quando o aluno é convidado a refletir, a sociedade e o meio em que vive de forma constante, aprimorando sua percepção e sua forma de enxergar as coisas. Isso pode ser algo perigoso para o educador, que deve estar preparado para essa situação, mas que não pode fugir, sendo sujeito responsável por criar seres críticos para a sociedade.

    Para que essa reflexão ocorra, as políticas públicas da sociedade devem apresentar condições para que isso seja feito. A formação continuada de professores, constante e de qualidade, tem um papel fundamental nesse processo. Educadores melhores preparados trazem indivíduos mais reflexivos e atraídos por um ensino que os privilegia como sujeitos históricos do aprendizado. Outra questão que envolve de forma central os professores é a redução de carga horária. Essa redução traria aulas de melhor qualidade, com professores motivados, que se preocupassem efetivamente com a qualidade de suas aulas e do que eles ensinam.

    Contudo, o professor não é inocente nesse processo. Se as modificações devem ocorrer, nós como educadores devemos pensar em buscar a transformação na forma como está hoje, para que esteja melhor no futuro, do contrário, como instigaremos nossos alunos em locais onde eles nem querem estar com educadores que apenas os desanimam? Portanto devemos estar cientes que nosso papel na sociedade é importante, e que se nos mostrarmos ativos mesmo em um ambiente desmotivador, podemos enfrentar e quebrar o processo de desanimo que temos em nossa sociedade atualmente.

    Entretanto, somos reféns dos currículos estagnados e aos processos burocráticos. Cabe a nós professores, como bem define ao fim do capitulo analisado do livro de Emile Durkheim, o “sacerdócio”. A questão da missão educacional refere-se à ideia da educação como meio de preparar para a vida, contudo, enfrentamos problemas constantes sobre as relações sociais, e temos inúmeras adversidades na vida educacional. Precisa-se urgentemente de reformas educacionais de caráter estrutural, mas que atribuam valores igualitários entre as disciplinas, e se explique a importância de cada uma ao aluno, afinal, ele vai para escola e muitas vezes nem entende o por que. Devemos pensar a sociedade, questionar a forma que temos hoje, e a esse caráter a educação faz parte.

Quando entendemos as reformas políticas educacionais, percebemos um desdém da sua real importância, se limitando, a saber, “O que você vai ser quando crescer”. Quando pensamos em um currículo que privilegie as políticas públicas, o ensino e o desenvolvimento de uma sociedade devem ir além disso, para que as próximas gerações nos superem, que reflitam as questões sociais e não achem que tudo está como está, e não terá como mudar. Dessa maneira, teremos uma sociedade desvalorizada, desmotivada, baseada no consumo, que se esquece do conhecimento, que confunde as noções de liberdade e autoridade, porque, de toda forma, é muito mais fácil reprimir o indivíduo do que lhe ensinar o que é liberdade.

PARA SABER MAIS:



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A Educação, Sua Natureza e Função In: DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia, trad. Lourenço Filho, 4ª ed. Edições Melhoramentos, São Paulo, 1955. P. 25 a P. 44.

A vida política In: CHAUÍ, Marilena. Convite a Filosofia, Editora Ática, São Paulo, 2000. P. 474 a P. 489.


COMO CITAR ESSE ARTIGO:
PEIXER, Arthur Luiz. Ensaio Sobre as Políticas Públicas Para a Educação: Uma Reflexão de Emilé Durkheim e a Sociologia. In: Blog EnsinArthur. Disponível em: http://ensinarthur.blogspot.com/2020/07/ensaio-sobre-as-politicas-publicas-para.html . Publicado em: 17  de julho de 2020. Acesso: [informar a data].


sexta-feira, 26 de junho de 2020

O SUICÍDIO EM SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

  No filme “Sociedade dos Poetas Mortos” conseguimos perceber diversas problemáticas que podemos associar e debater sobre escola e sociedade. Contudo, o momento chave do filme é o suicídio do personagem Neil Perry (Robert Sean Leonard), onde ninguém percebe, nem mesmo o telespectador, que o personagem chegaria a esse ponto. Ao analisar, conseguimos encaixar os fatores que levam o personagem a tirar a própria vida, mas durante o filme isso fica “difícil” de imaginar.
   Dentro das relações familiares, Neil sente-se preso a cobrança que recebe por rendimento, além de não construir diálogo aberto com seus país. Esse é um problema recorrente nas famílias brasileiras, devido a muitas vezes não se levar a sério a intensidade de vida dos jovens, que por estarem face a seus primeiros contatos com problemas sentimentais reais, não sabem lidar, ou ainda, consideram que aquela dor não terá cura. O fato é, que a relativização das relações humanas, ou até, da percepção dos jovens e suas necessidades, é um fator que contribui para que em muitas situações, sem apoio psicológico, eles tomem tais medidas extremas.
   Destaca-se nesse processo a época em que foi produzido o filme. Em 1989 não há um amplo debate, como possuímos na atualidade sobre o suicídio, e principalmente, sobre pressão social e depressão (considerada a doença do século XXI). Contudo, é esse caráter que transmite uma linguagem contemporânea para a obra, conseguindo trazer para nós essa sensação de peso, além de fazer com que empaticamente nos identifiquemos com os personagens da obra.
   Sendo assim, a atitude do personagem pode ser comparada a visão existencialista de Albert Camus, autor do livro “O Estrangeiro”. Camus defende a teoria do Absurdismo, que nada mais é do que defender a ideia que o maior absurdo que existe é a existência humana, e ela não faz sentido. Para ele, o único problema real filosófico para a teoria é o suicídio. Na visão dele, quando aceitamos o absurdo de existir, e que isso não tem sentido, conseguimos viver sem o peso de alcançar objetivos, pois, nada disso importa. Contudo, Neil Perry está em busca de sentido, como a maioria de nós, e essa angústia existencial nos cobra para que sigamos por duas vias: para o que temos que fazer, e para o que queremos fazer. Ao ser confrontado com isso, o personagem decide que não vale a pena existir, e isso não cabe a nós julgar e nem entender, apenas aceitar. Entretanto, alerta para o fato de que este é um problema real e não devemos evitá-lo, mas sim, debate-lo amplamente com professores e estudantes nas instituições de ensino.
   Sendo assim, o filme nos traz uma sensação de vazio e reflexão, quando se trata do viés do suicídio, a sensação de impotência do personagem John Keating (Robin Williams) é compartilhada por muitos professores que não conseguem atingir seus alunos, ou ainda, que sentem-se culpados por tal sentimento. Contudo, nos demonstra que arte e conhecimento derivam também de paixão e prazer, e ao passar isso aos estudantes, podemos ressignificar a escola e o processo de ensino como todo.




COMO CITAR ESSE ARTIGO:
PEIXER, Arthur Luiz. O Suicídio em Sociedade dos Poetas Mortos. In: Blog EnsinArthur. Disponível em:
http://ensinarthur.blogspot.com/2020/06/o-suicidio-em-sociedade-dos-poetas.html . Publicado em: 26 de junho de 2020. Acesso: [informar a data].